Daria tudo para ver a tua cara ao encontrar este e-mail entre os vários que ele escreve para ti. Não me interpretes mal; não estou a escrever para te provocar.
Pela primeira vez, ele vai bater à tua porta não por excesso de tesão, mas sim por falta de opção. E eu queria que tu soubesses disso. Passei o diabo por tua causa e não vou permitir que sintas o gostinho de imaginar que ganhaste. Não ganhaste, fui eu que o pus porta a fora e livrar-me de um traidor para mim é uma vitória. Mas no final das contas, sempre foi isso, não é? Uma competição entre nós as duas. O mais irónico é que o “prémio” nem é nada de mais, vale muito pouco.
Acredita que o desgraçado tentou pedir perdão, jurando que o caso de vocês não era nada sério. E olha que eu nem sequer lhe pedi explicações. Só mandei que saísse da minha vida. Devias ter visto o estado em que ele ficou quando chegou a casa hoje e encontrou as malas à porta. Nunca lhe tinha passado pela cabeça a possibilidade de que eu desconfiasse de algo. Menos ainda de ser dispensado. E daquela forma. Ficou tão desnorteado que me acusou de traição por tramar tudo pelas costas dele. O cínico faz sexo contigo e a traidora era eu!
Mas, lamentos à parte, foi um alívio colocar um ponto final na situação. Nunca mais vou olhar para o meu marido a imaginar se hoje é o dia em que ele vai abrir o jogo e acabar com o nosso casamento. Nunca mais vou ter a sensação de ser inadequada, de ser errada, nunca mais vou ter a sensação de não ser o suficiente para alguém. Nunca mais vou sentir o teu cheiro entranhado na pele e nas camisas dele.
Acabei por chegar à conclusão de que ele nos enganava. Às duas. Nunca pretendeu escolher. E porquê? Tinha o melhor das duas. Por ele, arrastaria a situação indefinidamente. Pior: se fosse pressionado, ficaria comigo. Mas gosto demais de mim mesma para aceitar uma coisa dessas. Foi por isso que o coloquei porta a fora. Por ironia, ele agora é o único que não tem escolha.
Quando ele bater aí, tu podes ou não abrir a porta que eu fechei. Não sei qual das opções me daria mais prazer. Enfim, o problema é teu…
Adeus pra ti também.
(Anônimo)




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